segunda-feira, 16 de março de 2009

Vale-tudo evangélico

A igreja deveria ser um lugar aonde as pessoas poderiam se voltar quando necessitadas, quando quisessem algum tipo de aconselhamento ou quando achassem que precisam de algo mais para se guiar durante a vida. Ela não deveria ter uma espécie de entretenimento para atrair os fiéis. Eles deveriam estar lá, apenas porque querem, apenas porque acreditam no que está sendo pregado.
Eu sou católica, mais por criação do que por opção, mas não acredito em muitos conceitos da Igreja Católica e acredito em alguns do espiritismo, por exemplo. Acho um absurdo o catolicismo proibir o uso de contraceptivos ou o aborto (em todos os casos). Isso vai contra o progresso da humanidade. Mas religião é um tema extremamente delicado e difícil de se discutir. Cada um acredita no que bem entender ou, simplesmente, não acredita em nada.
Agora, fazer da religião uma espécie de "arena de diversão" já é demais. Um ótimo exemplo disso são os torneios de vale-tudo que a Igreja Renascer, de Alphaville, anda promovendo para atrair mais jovens fiéis. O locutor do combate é o pastor que anuncia o culto poucos minutos depois. O esporte é praticado com a mesma violência, porém sem drogas, bebidas ou cigarro. A luta aconteceu em um sábado à noite e o culto durou até a madrugada. A igreja também fica aberta para treinos de jiu-jitsu duas vezes por semana. A ideia é deixar os jovens longe dos "vícios do mundo".
Com certeza o esporte é fundamental para ocupar a mente de jovens que tendem a ir pelo caminho das drogas e do alcoolismo, vejamos os exemplos de instituições que fazem trabalhos como esse nas favelas. Mas, promover lutas de vale-tudo não deveria ser a melhor saída para atrair os jovens. Um esporte agressivo que, por vezes, ensina a luta, mas também estimula a violência fora dos ringues. Uma aula de capoeria ou mesmo um jogo de basquete não seria melhor?

Um comentário:

Bibi disse...

Capoeira na igreja evangélica também seria uma idéia tão esquisita, quanto a do vale-tudo, Camila. Eu até compreendo que possam existir atividades para atrair os jovens. Muito poucos são aqueles que se permitiriam a idéia de procurar uma igreja, graças ao rótulo que a sociedade dá aos católicos, aos evangélicos e afins (muitas vezes há verdade nisso, mas a parte não simboliza o todo). E até aí a gente nem está discutindo religião, mas praxis. Gosto da idéia da igreja onde você procura amor. Desenvolver o seu, ajudar a que outros também desenvolvam, dividir amor, aprender sobre ele. Gosto da idéia da igreja, quando ela permite que se busque bem imateriais e muitas vezes dentro da igreja e fora dela também, esses bens andam muito sumidos. Mas é assim: somos todos diferentes e tentam nos fazer iguais para cabermos no conceito de sociedade.