terça-feira, 3 de março de 2009

A encantadora de crianças

E as histórias já começaram na ida. E claro, foi na estação do metrô, mas como era uma rodoviária também, dá pra dar um desconto. Os berros estridentes tomavam conta do corredor. As pessoas nas filas para comprar passagem olhavam enquanto a mulher passava com a sua mochila gigante nas costas, o neném loirinho no colo e a menininha atrás, puxada presa por uma cordinha ao corpo da mãe. Ela não parava de chorar, mas também não podia parar de andar, já que sua coleira forçava-a a seguir atrás da grande mochila.
Minha primeira impressão foi de que eram moradores de rua, que não tinham aonde ficar, que chegaram de alguma cidade ou talvez de uma aldeia de hippies para a Grande São Paulo. Ela passou uma vez, passou duas, passou três. Na quarta, eu tinha ido comprar palavras cruzadas e chocolate e me deparei com os três na minha direção. Sem pensar muito, dei o chocolate à menina, que parou imediatamente de chorar, deixando o silêncio tomar conta outra vez da rodoviária.
Enquanto esperávamos o ônibus para Guarulhos, encontramos novamente os três. Sentados, aguardavam seu ônibus sair. O neném só de fraldas se acomodava em um lençol no chão, a menininha terminava um Toddynho e já queria abrir o chocolate dado por mim. Comeu mais rápido do que eu e se lambuzou inteira. A mãe, para limpar a menina, pegou uma fralda do neném, mas a criança se recusou a usar e abanava as mãozinhas para a mãe. Sem expressar qualquer reação, a mochileira pegou as mãos da filha e colocou na boca. Depois, fez o mesmo com o rosto melado da menina. Em poucos segundos, a criança já tinha sido limpa pelas "lambidas"da mãe.
Uma cena curiosa um tanto curiosa, que só ficou um pouco pior quando o neném de fralda começou a chorar e a mãe tirou de sua mochila uma flauta. Sentada na frente do filho, ela se pôs a encantá-lo com sua flauta, acalmando instantaneamente o seu choro.

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