terça-feira, 31 de março de 2009

A tampa da panela

Já dizia o antigo ditado que toda panela tem sua tampa. Sempre acreditei que sim, mas será que na realidade é isso mesmo? Temos panelas de diversos tamanhos e formas, temos tampas de diversos tamanhos e formas também. Claro, que alguma se encaixa na outra, mas será que esse encaixe é perfeito? Afinal, existe o encaixe perfeito?
Vamos à prática literal. Na minha casa, as tampas não servem perfeitamente às panelas, a não ser que estejam novinhas, brilhando, acabadas de sair da prateleira. Aí, elas se encaixam. E é o que acontece, quando começamos a namorar, tudo é lindo, somos apaixonados, vemos tudo cor-de-rosa. Depois de algum tempo, a panela é esfregada, lavada, a tampa cai do fogão, entorta e nada mais se encaixa como antes. Encaixa até, mas não perfeitamente. E a gente vai levando, vai usando a mesma tampa até que ou uma ou outra ficam velhas demais. Na casa da minha avó, por exemplo, temos diversas tampas avulsas, sem panelas correspondentes, que acabam sendo usadas quando precisamos, em qualquer uma.
Mais uma vez a analogia corresponde a vida real. As pessoas acabam usando qualquer tampa por falta da ideal. Ou no começo, ela até é a perfeita, mas depois, as batidinhas, os lados entortados vão prejudicando e chega um certo momento que ninguém mais sabe se aquela tampa pertencia realmente àquela panela. Será que uma tampa mal encaixada nos satisfaz pra sempre? Ou sempre vamos estar à procura da tampa perfeita, que na realidade só existe em raros momentos?

segunda-feira, 30 de março de 2009

Liberdade de imprensa

Cadê a liberdade de imprensa neste país?

A jornalista Salete Lemos, da TV Cultura, foi demitida após essa reportagem.

sexta-feira, 27 de março de 2009

É amanhã!

Pessoal, não se esqueçam! Amanhã é dia de apagar as luzes de casa por uma hora em prol da luta contra o aquecimento global!
The Earth Hour
28 de março de 2009
20:30h às 21:30h



quinta-feira, 26 de março de 2009

quarta-feira, 25 de março de 2009

A Noiva Cadáver




Essa foi uma das histórias mais bizarras que escutei na vida. Era uma vez um homem, ele tinha uma sobrinha, Maria. Um belo dia, Maria apareceu com algumas feridas na boca, foi ao médico e ninguém conseguia descobrir o que era. Tiveram que fazer uma biópsia para descartar algo mais sério. O resultado espantou os médicos e a família da moça: bactérias de cadáver.




Isso mesmo. Eu também pensei que a menina era uma maníaca e gostava de beijar mortos ou que ela trabalhasse no IML, sei lá. Os médicos obrigaram a menina a ir na polícia (como deve mandar o protocolo, imagino) e lá, Maria contou que estava saindo com um cara há um tempinho já. Pronto! Então, o cara é o que trabalha no IML e gosta de um cadáver, pensei eu. A polícia pediu para Maria marcar um encontro com o tal, suspeitaram dele e o seguiram até em casa. Eis o que descobriram. Na casa do cara, havia dois corpos de mulheres, nos quais ele fazia sexo. Com isso, ele passou as bactérias para a viva com quem ele estava saindo, a pobre Maria (se apareceu na boca, imagina como estaria o resto...). Quando foi preso, ele confessou que Maria seria sua próxima vítima.




Simples assim, ele gostava de transar com mulheres mortas, devia gostar de um sexo silencioso. Então, saia com as meninas e depois as matava. Parece história de filme, mas aconteceu de verdade, por isso, tome cuidado com seu próximo beijo nas baladas.

terça-feira, 24 de março de 2009

Doe um fone de ouvido




Celulares que armazenam MP3 foram uma invenção muito boa. Você não precisa levar mais seu Ipod ou MP3 para cima e para baixo quando quer ouvir uma música. É só acoplar o fone de ouvido ao seu celular e está tudo resolvido. O que acontece é que tem gente que não sabe usufruir dos benefícios da tecnologia. Ou até sabem e sabem tanto que acabam extrapolando das vantagens.




São aqueles que colocam a música para tocar sem os fones de ouvido e acham que todos ao redor devem ouvi-la. Você está lá, quieta, no ônibus, lendo o seu livrinho, quando, de repente, entra o cara (vou usar no masculino porque sempre é "o cara", podem perceber, as mulheres não fazem isso). Ele já chega com um ar prepotente, de quem está arrasando (o que é a mais pura mentira. Coitada, se se olhasse no espelho...) e liga uma música eletrônica no celular que ele comprou nas Casas Bahia, parcelado em 10X sem juros no crediário.




Em plena manhã, aquela música alta na sua cabeça, você querendo cochilar ou ler seu livro em paz e o fulano sem noção com aquela barulheira no seu ouvido. Isso quando não é funk. O pior é dividir o minúsculo espaço do elevador com um indivíduo desses. Quem ele tá pensando que é? Eles desconhecem a frase: "Sua liberdade termina aonde começa a minha". Até no parque as pessoas andam fazendo isso!




Por isso, eu farei uma campanha! Doe um fone de ouvido! Ele está quebrado? Não tem problema, o que vale é a intenção, para a pessoa se tocar mesmo. Sairei com alguns na minha bolsa e quando encontrar o tal fulano darei-os com o maior prazer. Participe você também!

segunda-feira, 23 de março de 2009

O parto

Gritos. Passos apressados. Uma criança chorando alto. Uma voz de mulher ecoava na madrugada. Alvoroço, barulho, confusão. Acordei. Não era sonho. Os gritos continuavam, a correria também. A mulher gritava, a criança com a voz aflita chamava "Papai, papai". Meu coração disparou. Algo estava errado, algo estava acontecendo. Se fosse em São Paulo, poderia ser um assalto, um atropelamento, um acidente de carro, mas estávamos ali, na praia, um lugar pacato, sem muita gente, sem violência aparente.
Saímos na sacada, a confusão vinha da casa do vizinho, as vozes e o barulho permaneciam. Alguém corria de uma lado para o outro, a mulher já tinha parado de gritar, mas a criança continuava. Estava tudo escuro, não conseguíamos enxergar nada. Em uma das passadas, uma das palavras fugiu da boca do homem: "cordão umbilical". Um ponto de interrogação cresceu sobre nós. Encaramos-nos e apuramos os ouvidos para tentar escutar um pouco mais.
De repente, entre as vozes e a correria, conseguimos distinguir o choro de um neném, fino e baixinho. Foi quando tivemos a certeza de que ali, ao nosso lado, tinha acabado de nascer uma criança, às 4:12 do dia 22 de março de 2009. Voltamos para o sono, com o alívio de que não foi nada mais grave. Demorei ainda para dormir e ouvi um carro chegando, deduzi que era para levar a mãe ao hospital (já que o mais próximo fica a pelo menos 40 minutos de distância). O chorinho agudo ainda ecoava na noite e a mãe tentava acalmá-lo. Voltei a dormir e sonhei com muitos outros nascimentos naquela madrugada.

quarta-feira, 18 de março de 2009

No apagão!

Hoje, o blog do Tas traz um assunto muito interessante e de extrema importância: um movimento mundial contra o aquecimento global. O Earth Hour, a Hora da Terra, começou na Austrália e já está se espalhando por mais de 80 países. Você só precisa desligar as luzes por uma hora no dia 28 de março, sábado, às 20:30, em qualquer lugar do planeta que você estiver.
Faça sua parte! Desligue as luzes de sua casa e se inscreva no site (http://www.earthhour.org/signup/). A sua participação hoje e sempre poderá fazer a diferença no futuro.
Desculpe roubar a sua ideia, Tas, mas é por uam boa causa!


VOTE EARTH

Dor de cotovelo


É, o assunto já deu o que falar, mas a mídia insiste e acha pano para a manga. Desta vez, a entrevista foi com a ex-namorada de Jesus Luz (aliás, que nominho...), Catharina Franca, para o veículo britânico Daily Mail. No site, a foto de Catharina está ao lado da de Madonna, em uma comparação escancarada. Uma tem 18, a outra 50. Claro, que a menina está mais em forma do que Madonna, apesar de enxutíssima para sua idade. É impossível ir contra a natureza, as pessoas envelhecem e ponto.


A declaração de Catharina é de que ela ficou chocada quando descobriu o romance dos dois e disse que Madonna é "uma velha ridícula". Calma lá! Ridícula é impossível dela ser, caso contrário, não faria o sucesso absurdo que faz hoje. Velha, muito menos, velha é a minha vozinha que já está com 80 anos. Nem precisamos dizer que está na cara que este é um caso típico de dor de cotovelo.


Uma outra ex-namorada do rapaz disse que ele terminou com Catharina para ficar com Madonna. E pesquisando mais ainda, o jornal britânico The Sun também publicou a entrevista com a mocinha e as declarações pareciam mais fortes ainda: "Ela é uma mala velha ridícula". A garota acha que Madonna só está com Jesus para fazer ciúmes ao seu ex-marido. Se está ou não, sorte a dele.


O que mais me intriga é como é possível veículos britânicos chegarem ao ponto de publicar a entrevista de uma menina com dor de cotovelo que perdeu o namorado. E tem mais, impossível tentar comparar as duas, Madonna é uma diva, Catharina é uma mera menina brasileira. Será que a volta de Rihana com seu espancador não daria mais credibilidade aos jornais?

segunda-feira, 16 de março de 2009

Vale-tudo evangélico

A igreja deveria ser um lugar aonde as pessoas poderiam se voltar quando necessitadas, quando quisessem algum tipo de aconselhamento ou quando achassem que precisam de algo mais para se guiar durante a vida. Ela não deveria ter uma espécie de entretenimento para atrair os fiéis. Eles deveriam estar lá, apenas porque querem, apenas porque acreditam no que está sendo pregado.
Eu sou católica, mais por criação do que por opção, mas não acredito em muitos conceitos da Igreja Católica e acredito em alguns do espiritismo, por exemplo. Acho um absurdo o catolicismo proibir o uso de contraceptivos ou o aborto (em todos os casos). Isso vai contra o progresso da humanidade. Mas religião é um tema extremamente delicado e difícil de se discutir. Cada um acredita no que bem entender ou, simplesmente, não acredita em nada.
Agora, fazer da religião uma espécie de "arena de diversão" já é demais. Um ótimo exemplo disso são os torneios de vale-tudo que a Igreja Renascer, de Alphaville, anda promovendo para atrair mais jovens fiéis. O locutor do combate é o pastor que anuncia o culto poucos minutos depois. O esporte é praticado com a mesma violência, porém sem drogas, bebidas ou cigarro. A luta aconteceu em um sábado à noite e o culto durou até a madrugada. A igreja também fica aberta para treinos de jiu-jitsu duas vezes por semana. A ideia é deixar os jovens longe dos "vícios do mundo".
Com certeza o esporte é fundamental para ocupar a mente de jovens que tendem a ir pelo caminho das drogas e do alcoolismo, vejamos os exemplos de instituições que fazem trabalhos como esse nas favelas. Mas, promover lutas de vale-tudo não deveria ser a melhor saída para atrair os jovens. Um esporte agressivo que, por vezes, ensina a luta, mas também estimula a violência fora dos ringues. Uma aula de capoeria ou mesmo um jogo de basquete não seria melhor?

sexta-feira, 13 de março de 2009

Eu recomendo - Filmes




Quem não gostaria de ser um milionário? Eu também gostaria, mas não gostaria de passar por todos os maus momentos que Jamal teve que enfrentar para chegar a esse ponto. Na minha opinião, o filme mereceu o Oscar. Muito bem feito, a história é contada de uma maneira dinâmica, envolvente e emocionante.




Jamal é o menino pobre que morou toda sua vida na favela. E que favela! Acredito que nem no Brasil temos algo igual à Índia, as casinhas pobres brotam do chão e são construídas como labirintos. A pobreza é estampada a todo momento e é visível como a população indiana é miserável. Claro que, os "donos do morro" são ricos e possuem mansões e os que trabalham para eles vivem um pouco melhor. Você chega a ficar com raiva dos meios encontrados pelas pessoas para ganhar direito e fica indagando como é que aquilo pode ser um ser humano.




Os atores escolhidos são excelentes, as crianças atuam muito bem, o roteiro é fantástico e a história muito bem bolada. O filme, apesar te mostrar o lado pobre e triste da Índia, te faz rir e se apaixonar pelos dois irmãozinhos e por Latika. Aproveite o final de semana e vá ao cinema, só não fique na sala quando acabar o filme. Quando acender a meia-luz, saia correndo, assim você terá o prazer de ficar com um filme emocionante na mente e terá a sorte de não ver uma dancinha ridícula que os personagens fazem ao final do filme enquanto seus nomes pipocam na tela.

quinta-feira, 12 de março de 2009

As horas extras no Senado

6 milhões de reais. Foi esse o valor pago em horas extras durante o mês de janeiro no Senado brasileiro. Janeiro é o mês de recesso dos parlamentares, mas pelo jeito, eles estavam bem empenhados em suas funções e resolveram trabalhar bastante durante as férias. Ainda bem que a mídia descobriu tamanha falcatrua e reportou o acontecido ao povo brasileiro.
O que mais me indigna são as pessoas que não têm a menor vergonha de fazer isso. Não. Pior. O que mais me indigna é o tal do Efraim Moraes que assinou a autorização do pagamento. Óbvio que José Sarney se escandalizou com a notícia. Claro que, publicamente, ele não iria concordar com isso, mas e por baixo dos panos? E se a hora extra fosse dele também?
Agora cabe aos senadores e ordenadores de despesas determinarem se o pagamento foi indevido ou não. Se sim, ele pode ser descontado em até dez vezes nos próximos salários. É, realmente, coitados. Temos que entender que, afinal, é muito dinheiro para ser devolvido de uma vez. Porém, não foi muito dinheiro para ser pago em uma tacada só.

terça-feira, 10 de março de 2009

Seu Almir, o poeta

Ele foi o primeiro a nos levar de volta após a exaustão do Cocobambu. Cansamos, muito. Os pés doíam, mas fomos até o fim e até dava pra aguentar um pouco mais. No final do circuito, os organizadores da corda até faziam graça, organizando o povo todo que estava na frente para correr. Eles ficavam junto com os balões do patrocínio e davam o sinal para os seguranças que impediam a multidão de atravessar para aquela área. No três, todos corriam e alcançávamos o trio adiante. Alguns foliões não se contentavam e queriam passar pela barreira dos seguranças, o que não era permitido, mas eles acabavam deixando, só pra ver a felicidade dos bêbados em achar que conseguiram. Eles passaram, rodavam pelo chão, pulavam e depois retornavam para a multidão.


Depois de algumas propostas pelo abadá suado, pegamos o táxi do Seu Almir. Conversa vai, conversa vem, futebol daqui, Bahia dali.


- Eu sou cantor também. - disse o Seu Almir todo animado.

- Que legal!! O que o senhor canta? - nós retrucamos, colocando fogo.

- Fiz uma música para o Bahia quando subiu para a primeira divisão. E também fiz uma pro são Paulo, porque em São Paulo, eu torço pra eles, que também são tricolor.


Não precisou de 2 minutos, o Seu Almir já tirava um CD do porta-luvas e colocava pra tocar.


- Essa é a música do Bahia. - disse ele.


Ouvimos, aprendemos o refrão, fizemos um agito no banco de trás e acenamos pela janela. Quando Seu Almir viu nossa empolgação, ficou feliz da vida e resolveu dar uma palhinha ao vivo para nós.


- Agora, vamos fazer ao vivo! - disse ele, colocando a faixa 6 do CD, que tocava apenas a parte instrumental da música.


E lá fomos nós, o caminho inteiro de volta para o hotel cantando com o Seu Almir, taxista, cantor, compositor e poeta.


"É tricolor! Ô, ô, ô, ô, ô!

Minha Bahia não desanima

Já demos a volta por cima"


sexta-feira, 6 de março de 2009

Pipoca

Tantos foram os conselhos antes de embarcarmos para Salvador, tantas foram as reportagens dizendo que a cidade estava recebendo policiamento extra por conta do assalto aos turistas que eu cheguei lá com medo. Achei que seria roubada na primeira esquina, que iriam arrancar meu abadá do corpo e que teria que caminhar até o hotel pois não me deixariam com um centavo no bolso. Engano o meu e das pessoas que possuem essa má impressão da cidade na época do Carnaval. Claro, que eles assaltam mais, roubam os turistas, mas nada diferente do que vemos em São Paulo todos os dias. Você também não pode ficar dando bandeira, mas há polícia por toda a cidade. Eles passam em fila, a cada meia hora, nos circuitos. Até a corda tem que espremer o pessoal do bloco pra dar passagem para a polícia na pipoca.




Agora, se você não estiver no bloco, aí sim, a coisa complica. A pipoca é assustadora. Principalmente, nos trios mais cobiçados (Chiclete, Ivete e Asa de Águia). As pessoas pulam, se empurram e parece que formam uma massa única. Sair do bloco só quando o espaço está mais livre e já está no final do circuito. A impressão que dá é que se você sair, será levada, arrastada e pisoteada pelo empurra-empurra enfurecido da multidão. Há mulheres que se arriscam também.




Para ir ao banheiro no trio é tranquilo, o problema é atravessar tudo até chegar no fundo, por isso, os homens saem da corda e vão no cantinho e , na maioria das vezes que vi, são escoltados por algum integrante da corda. Achei fantástico! Uma escolta pro xixi! (Reparem na foto).




Brigas dentro do trio, há poucas: duas meninas se esbofetearam ao meu lado e os próprios nativos da corda brigaram entre si, mas logo foram apaziguados e tirados do bloco pela segurança. Quem não dá conta de segurar a corda ou faz corpo mole, é logo chamado atenção pelos "fiscais da corda" e se persistir, são tirados de lá, nem que seja a força.




Por vezes, dentro da corda, parecia que estávamos no meio da pipoca, tamanho era a aglomeração que se formava. Mas, logo, o trio da frente andava e sobrava uma brecha para respirar...


E não se preocupe, pois não há idade, nem restrições para participar da folia!





















quinta-feira, 5 de março de 2009

Sem palavras

Sem palavras para descrever a alegria, a energia e vibração que é estar no meio da multidão, cantando e pulando com todo mundo. A cada início de trio, a cada música que te contagia, você sente a pele arrepiar da cabeça aos pés. É isso que é o Carnaval na Bahia.

terça-feira, 3 de março de 2009

A encantadora de crianças

E as histórias já começaram na ida. E claro, foi na estação do metrô, mas como era uma rodoviária também, dá pra dar um desconto. Os berros estridentes tomavam conta do corredor. As pessoas nas filas para comprar passagem olhavam enquanto a mulher passava com a sua mochila gigante nas costas, o neném loirinho no colo e a menininha atrás, puxada presa por uma cordinha ao corpo da mãe. Ela não parava de chorar, mas também não podia parar de andar, já que sua coleira forçava-a a seguir atrás da grande mochila.
Minha primeira impressão foi de que eram moradores de rua, que não tinham aonde ficar, que chegaram de alguma cidade ou talvez de uma aldeia de hippies para a Grande São Paulo. Ela passou uma vez, passou duas, passou três. Na quarta, eu tinha ido comprar palavras cruzadas e chocolate e me deparei com os três na minha direção. Sem pensar muito, dei o chocolate à menina, que parou imediatamente de chorar, deixando o silêncio tomar conta outra vez da rodoviária.
Enquanto esperávamos o ônibus para Guarulhos, encontramos novamente os três. Sentados, aguardavam seu ônibus sair. O neném só de fraldas se acomodava em um lençol no chão, a menininha terminava um Toddynho e já queria abrir o chocolate dado por mim. Comeu mais rápido do que eu e se lambuzou inteira. A mãe, para limpar a menina, pegou uma fralda do neném, mas a criança se recusou a usar e abanava as mãozinhas para a mãe. Sem expressar qualquer reação, a mochileira pegou as mãos da filha e colocou na boca. Depois, fez o mesmo com o rosto melado da menina. Em poucos segundos, a criança já tinha sido limpa pelas "lambidas"da mãe.
Uma cena curiosa um tanto curiosa, que só ficou um pouco pior quando o neném de fralda começou a chorar e a mãe tirou de sua mochila uma flauta. Sentada na frente do filho, ela se pôs a encantá-lo com sua flauta, acalmando instantaneamente o seu choro.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Dura realidade...





... de voltar após um Carnaval repleto de folia, muito Chiclete, trios, abadás, praias paradisíacas, histórias divertidas e uma excelente companhia. Ficam as boas lembranças, os bons momentos, as fotos e aquele gostinho de quero mais.