segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Moça, me dá seu testemunho?

Vimos coisas estranhas todos dias na rua. Pessoas com roupas esquisitas, situações bizarras, lugares inusitados. Eu costumo presenciar alguns desses fatos, mas na semana passada me deparei com uma situação um tanto diferente. Estava saindo da farmácia, quando um menina nos seus 12 anos abordou uma mulher que falava ao orelhão. O diálogo que se seguiu foi o seguinte:
- Moça, por favor, minha tia está ali, tentando registrar o filho dela, mas ela precisa de duas testemunhas pra tirar a certidão, a senhora poderia ir lá nos ajudar?
A mulher com as sobrancelhas franzidas pensou por um minuto, tentando compreender o que acontecia. Não ouvi a resposta, mas ela deve ter negado, pois a menina continuou sua jornada recrutando todos que atravessavam a rua. Muitos já negavam de imediato. Atravessei e não fui parada pela menina. Quando cheguei ao outro lado da calçada, vi a tia com o filho no colo conversando com a mulher do orelhão. A criancinha vestia um macacão laranja e deveria ter uns quatro meses.
Não sei quem foi testemunhar a favor da tia da menina, mas pensando bem depois, isso poderia ser um ato inconsequente. Quem garante que aquele era filho dela mesmo, como você vai assinar e testemunhar por uma pessoa que você acabou de saber o nome? Aqui, não é possível ser solidário e ter um coração bom com todas as pessoas ao seu redor, mais cedo ou mais tarde, eles podem te passar a perna. A picaretagem está logo atrás da gente, na frente, ao lado, embaixo, acima...

2 comentários:

Rafael disse...

Camila, isso para mim é um dilema. Ser solidário ou não ser? Ser solidário ajudará a melhorar o mundo ou já estamos em uma fase de tal degradação que ser solidário significa ser o "inocente útil", o "laranja" de alguém?

Neste caso, minha opção (na teoria) seria um "ok, vamos lá, eu vou te ajudar". Mas na prática eu provavelmente diria "desculpe, estou atrasado para um compromisso".

Isso é ruim, perder a fé no próximo, não conseguir acreditar que o seu semelhante é uma pessoa honesta.

Mas em tempos de castelos milionários não declarados o que podemos pensar dos outros?

Thales disse...

Ó... excelente comentário! Concordo e estou sem palavras.