segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Chove lá fora



Alagados. Esta é a palavra certa para definir a situação de muitas pessoas no último sábado. Estávamos a caminho do bar quando o céu começou a escurecer, paramos o carro com alguns pingos, mas a tempestade mesmo ainda estava por vir. Sentamos, o jogo já tinha começado, pedimos bebidas. De repente, a chuva aumenta, os garçons baixam as lonas na lateral do bar para evitar os respingos. As pessoas que estavam acomodadas na varanda já se mudavam para o interior do bar e as portas de ferro tiveram que ser fechadas pela metade. O jogo, no Pacaembu, nos dizia como estava a intensidade da água lá fora, a nossa visão da rua era limitada, apenas víamos a árvore balançando muito e as poucas pessoas que restavam na rua se escondendo aonde quer que fosse.




Para nós, era mais uma dessas chuvas de verão que insistem em cair no final da tarde todos os dias em São Paulo. Quando demos conta da força do temporal, o jogo já estava suspenso e o estádio virara uma piscina. Na rua, a água batendo chegava a cobrir as rodas dos carros, as cadeiras do bar foram arrastadas e a moto do cozinheiro quase foi levada. A água descia em uma velocidade incrível e ao asfalto parecia um rio lamacento. De repente, um barulho. E os gritos. No boteco, vizinho ao nosso, todos gesticulavam em nossa direção. Era difícil discernir o que eles diziam por conta do barulho da chuva. Foi quando abriram as portas de ferro e vimos a lona curvar com o peso da água acumulada. Os postes que a sustentavam estavam envergados e o concreto estava cedendo. Rapidamente, furaram a lona e a água foi liberada.




Aos poucos, a água da rua foi baixando, a chuva diminuindo e as pessoas voltando a circular. Ainda chovia quando pedimos a conta e o jogo continuava suspenso. Do lado de fora, pudemos ver o estrago causado pela tempestade, o muro de concreto do bar estava cedendo aonde os postes foram fixados, a lona estava esburacada e a varanda encharcada. No caminho, folhas, lixo, galhos e material de construção dominavam o asfalto. Até nos deparamos com uma árvore caída ao tentar atravessar uma rua. O caos estava instaurado. Trânsito, alagamentos e destruição foi o que comprovamos no jornal, meia hora mais tarde. Apenas os foliões do bairro continuam a cantar suas marchinhas com as fantasias molhadas.

Um comentário:

Thales disse...

Esse final de semana vi os caras trabalhando para reerguer a cobertura do boteco.