quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Tatu-bola


Debaixo do sol escaldante, descendo a ladeira com o salto plataforma fisgando a batata da perna, com o almoço indigesto no estômago por causa do calor, queríamos rolar como um tatu-bola. E por que não? Por que não conseguimos rolar quando estamos exaustos e cansados e pedindo só sombra e água fresca? Poderia não doer. Poderíamos simplesmente nos enrolar como tatu-bolas e chegar ao nosso destino.


Pensando agora nos tatu-bolas, eu acho que eles estão em extinção. Quando eu era pequena, vivia pegando tatu-bolas no quintal da minha vó. Bastava eu levantar uma pedra e eles apareciam aos montes. Também estavam nos jardins do prédio, nos vasos da escola e na casa de todo mundo. Hoje, ninguém mais vê tatu-bolas. Tudo bem que eu também não escavo mais a terra e nem fico brincando no jardim do prédio, mas mesmo assim, eles deixaram de existir.


Tenho saudades dos tatu-bolas, saudades das casinhas que eu fazia para eles e quando ia vê-los no dia seguinte, já tinham todos morrido. Saudades da aflição que eu sentia quando um deles desvirava-se e começava a andar pela minha mão, saudades dos pequeninhos, saudades do medo que eu sentia dos maiores. Enfim, saudades das coisas boas que só tínhamos quando crianças.

2 comentários:

Thales disse...

Tem gente que falta pouco pra rolar... E tem gente que, mesmo não sendo roliça, dá vontade de empurrar ladeira abaixo.

Jota Nascimento disse...

Cara colega, moro em Sobradinho Distrito Federal e o que mais tem por aqui é tatu bola e olha que minha casa nem tem quintal de terra é totalmente na cerâmica. Essa coisinha invadiu minha área, entra casa a dentro. A verdade é que desejo acabar com essa coisinha por aqui, faz idéia como? Um grande abraço.
Jota Nascimento