quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Pichar é crime

Arte é um conceito muito relativo. Acabei de ler que pichar pode ser uma "intervenção artística" ou um meio de "terrorismo poético". Destruir um patrimônio não tem nada de poético nem de artístico. As definições vieram por conta do caso da pichadora presa por pintar uma parede da Bienal. Para alguns artistas, defensores da estudante gaúcha, o espaço vazio era um convite à manifestação e contravenção, em outras palavras, cada um poderia fazer o que quisesse (como foi o caso do peladão). Concordo que, se o espaço era para isso, a garota tinha sim o direito de pichar, mas se não era, o que ela fez foi crime. Não cabe a mim discutir esse fato específico porque não fui à Bienal e nem sei qual era sua proposta, não sei o que fizeram, só li sobre fatos isolados.
O que discordo plenamente é o fato de pichação ser considerada uma arte. Para mim, não há outro significado para isso além de vandalismo. Pichação é vandalismo e destruição do patrimônio, seja ele público ou privado. Grafite é diferente. O grafite pode colorir a cidade, dar uma cara mais alegre aos túneis escuros e sujos, passar uma mensagem em um muro de uma escola, criar um ponto de referência e levar um pouco de cultura aos cidadãos, como nas reproduções de quadros de artistas famosos no túnel da Avenida Paulista. As reproduções já não são mais visíveis, o tempo deteriorou-as e os pichadores ficaram encarregados de estragar o resto.
Pichar nada mais é do que marcar com letras ilegíveis um local, dizer que o seu grupo, a sua tribo ou sei lá o quê passaram por ali, que você e os seus dominam aquela área, em outras palavras, 'Eu sou mesmo um marginal". Para se manifestar você não precisa danificar, quebrar, nem prejudicar alguém. É possível dar inúmeros exemplos. Na Bienal mesmo, no mesmo espaço pichado, outros grupos tiveram a sua vez. Alguns colaram adesivos no pilares (uma forma bem menos agressiva do que a pichação e até dão um toque especial nos faróis da Paulista), outros promoveram um flash-mob, que são, segundo a Wikipédia, aglomerações instantâneas de pessoas em um local público que depois de fazer uma determinada ação previamente combinada se dispersam tão rápido quanto se reuniram.
Isso é se manifestar, isso é expressar uma opinião. Não pichar, não estragar a fachada de uma casa, nem pintar o último andar de um prédio público. Quer gritar bem alto que você é o dono do pedaço? Faz um panfleto, contrata um carro de som, bota uma melancia na cabeça, fica agindo como louco no meio da rua que todo mundo vai te notar, mas não destrua e não suje a cidade. É por isso que eu penso que a menina da Bienal pode até estar certa em se manifestar naquele espaço, mas, por outro lado, fizeram muito bem em prendê-la. Afinal, é um pichador a menos solto e uma chance a mais de ter a cidade limpa.
Para ver um flash-mob, acesse http://www.youtube.com/watch?v=jwMj3PJDxuo
Para saber mais sobre a pichação na Bienal: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2008/12/04/ult5772u1973.jhtm

Um comentário:

Thales disse...

É! Concordo. Humpft