segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Ops, esqueci meu vestido em casa

O dia estava perfeito, o calor agradável, as pessoas não se reuniam há um tempo já, o japonês estava solitário desde 4 da tarde, as frequentadoras se esqueceram de uma parte dos vestidos em casa. O bar estava cheio de são-paulinos endoidecidos, talvez nem o dia nem o local fossem ideais para um amigo secreto, mas eu sempre penso que o que vale é a companhia. A turma demorou para se reunir, o passatempo era olhar e desacreditar nas roupas das distintas moças que desfilavam pelo bar, podia-se observar à vontade sutiãs de onça, decotes até o umbigo, celulites nas pernas nuas e contornos de roupas coladas. Os homens estavam mais interessados no jogo, será que esse era o motivo de tanta falta de pudor? Uma das questões da mesa logo após a chegada de uma de nós, que achava que seu vestido estava muito curto quando saiu de casa (ele mais parecia uma burca perto dos das piriguetes), foi como os pais deixavam as distintas moças saírem de casa daquela maneira. Conclusão: não tinham família ou viviam em um lar completamente desestruturado.


O sufoco para conseguir a mesa foi pouco, o sufoco de quem chegou por volta das 6 e depois foi para entrar no bar, as cadeiras eram um sufoco para se conseguir, o banheiro era o próprio sufoco. Depois de algumas bundadas na cara, depois das piriguetes invadirem a mesa do japa solitário, depois dos uivos ensandecidos pelo jogo, chegaram todas. Quando a hora de trocar os presentes se aproximava, a tensão e vergonha por parte de algumas estava clara de se notar, outras se arrependiam de escolher o bar como ponto de encontro. Afinal, não era uma reunião normal de amigas, íamos trocar presentes, presentes que nada mais eram do que....calcinhas! Literalmente, era expor sua intimidade diante de milhares de piriguetes e bombadinhos de cabeça vazia. Tudo transcorreu sem maiores problemas. Quase ninguém nos notou na mesa estrategicamente posicionada no cantinho, a não ser o japa solitário e seus convidados que acabavam de chegar.


Brincadeiras, risadas, fofocas e ótimas companhias. O encontro foi muito bom, para fechar com chave de ouro um waffle gigante no Joakin's. Agora, fazendo uma pequena crítica, não às minhas amigas, claro, mas aos milhares de mulheres que se submetem ao ridículo para serem notadas. O bar era o São Bento do Itaim, um dos lugares que estão no auge da existência nos dias de hoje, o público, arrumadinho, ricos ou que se passam por, que têm profunda adoração pelo corpo e precisam ser vistos e notados pela sociedade. Sociedade que permite que esse tipo de gente tenha tanto destaque e importância. O que leva uma tia a fazer bronzeamento artificial, tingir o cabelo de loiro branco, colocar botox nos lábios, ficar anoxérica um pouco malhada, encher os seios com milhões de mililitros de silicone e usar um vestido que a deixava mais exposta do que a Globeleza? O que um homem com só um pouquinho de cérebro pensa dessa mulher? Que ela vai dar fácil para ele e que ele nem vai precisar ligar no dia seguinte. Será que é só isso que ela procura? Será que ela não consegue se olhar no espelho e pensar: "assim não, estou parecendo uma vagabunda". Ou será que ela pensa: "legal, estou parecendo uma vagabunda". Qual dos fortinhos com cabelos espetados, óculos escuros e tentando ser fashions conseguiram levá-la para cama a noite passada?

2 comentários:

Thales disse...

Meu... era jogo do São Paulo, portanto é óbvio que os torcedores escolheriam ver o jogo do que as beldades de pouca roupa que desfilavam pelo local.
E vocês aderiram: assim como as periguetes, mostraram suas lingeries.
uhu!

Camila Ciberi disse...

Beldades??? Beldades estão na passarela! Essas passavam longe, muito longe. Faça me um favor, né...