quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O tempo acaba o ano, o mês e a hora

Luíz Vaz de Camões

O tempo acaba o ano, o mês e a hora,
A força, a arte, a manha, a fortaleza;
O tempo acaba a fama e a riqueza,
O tempo o mesmo tempo de si chora.

O tempo busca e acaba onde mora
Qualquer ingratidão, qualquer dureza;
Mas não pode acabar minha tristeza,
Enquanto não quiserdes vós, Senhora.

O tempo o claro dia torna escuro,
E o mais ledo prazer em choro triste;
O tempo, a tempestade em grã bonança.

Mas de abrandar o tempo estou seguro
O peito de diamante, onde consiste
A pena e o prazer desta esperança.

Um comentário:

Thales disse...

Se eu entendi bem:

Mas não pode acabar minha tristeza,
Enquanto não quiserdes vós, Senhora.

Pra mim vale...