sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Um fim de tarde no PS

Fiquei doente. Sintomas típicos de virose, mas só para ter certeza, fui ao pronto-socorro ouvir da boca de um médico japa com nome francês. Ele perguntou se eu tinha viajado recentemente, sim, fui para a praia no feriado, ele também pelo jeito, já que estava com a testa em carne viva, o rosto descascando e o braço vermelho ardido. Depois perguntou se estava com pressa, se podíamos fazer um exame de sangue, vou dizer que não? Lá fui eu tomar um sorinho com dipirona e colher o sangue. Resultado: um furo em cada braço. Duas horas para saber se era dengue ou infecção.
Enquanto isso, fiquei com meu pai na sala de espera com muitos outros pacientes, pois agora eles são fáceis de ser identificados, estávamos com pulseirinhas tipo de balada, coloridas que indicavam alguma coisa que até agora não entendi. A minha era verde, a maioria tinha uma verde, acho que eram os casos mais leves. As azuis eram para consultas, alguns tinham duas! Tomando soro, um rapaz tinha uma branca, acho que ele já tinha morrido. Macas entravam com acidentados, o marido grosso discutia com a mulher com a filhinha no colo. Na TV, o sensacionalismo da Record mostrava uma denúncia. O caso chamou atenção de quem estava lá à toa esperando o atendimento.
Uma vizinha filmara a filha e o neto maltratando a mãe/avó idosa. Claro que as cenas foram mostradas e foi mais chocante do que os desabrigados em Santa Catarina (não menosprezando o acontecimento). A mãe dava socos no rosto da velhinha, magra, quase esquelética, cabelos todos branquinhos, deitada, sem se movimentar. Depois, a puxava pelos cabelos. O neto a levantava pelos braços, sem o menor cuidado. As agressões arrancaram exclamações da platéia aflita, a indignação tomou conta de todos que estavam por lá, uma angústia, uma vontade de torturá-los (juntamente com os malditos chineses das fazendas de peles). Como é possível alguém tratar dessa maneira uma pessoa indefesa? Como a própria mãe pode tratar dessa forma a filha? Como um neto pode bater na avó? Eu e a platéia desacreditávamos. O FDP (com o perdão da palavra) ainda teve coragem de ameaçar a vizinha delatora. Esse tipo de gente é que merece sofrer, assim como o júri especial que absolveu o promotor Thales, notícia seguinte que também arrancou uma indignação de uma espectadora: "Vai a gente matar, né?".
Para cessar as tragédias do dia, o resultado do exame. O japa francês olha, olha, e diz: ''É, está bem normal". Mas então, o que é? "Um quadro típico de virose". Ah, jura? "Eu receito dipirona, caso tenha febre." E eu receito pro doutor, filtro solar 30 fps, na próxima exposição ao sol.

2 comentários:

márcia siqueira disse...

Camila, depois da farra das datas entrei aqui e li um pouco de seus posts. Você escreve muito bem. Gostei muito. Beijos. Márcia Siqueira

Thales disse...

Meu... como você atrai japas, né? Vou começar a te chamar de Liberdade ou de Karaokê!
Muito engraçado o final deste teu post.
Você falou de tanta coisa que fica complicado saber sobre o que comentar.
Beijos, Linda