quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Ali na esquina

Na madrugada de segunda para terça, uma mulher coreana, 54 anos, foi baleada na nuca, em um cruzamento da Avenida Tiradentes. Nada foi roubado e seu corpo continua no IML à espera de algum parente. O irmão da mulher foi contatado, porém não falava com a irmã fazia 3 meses. Ninguém pôde informar em que a mulher trabalhava. Essa foi uma das notícias de ontem, entre tantas outras sobre mortes, roubos, desaparecimentos. Seria mais uma, se não fosse pelo fato de que se passou em um lugar que eu passo todo dia.
Sabemos sempre que acontecem crimes na cidade, afinal, os noticiários só televisionam isso e as páginas do cotidiano dos jornais vivem cheias de tragédias. Mas quando algum desses acontecimentos cruzam a nossa rotina, damos mais importância, ficamos mais preocupados e até nos impressionamos mais. Eles perturbam nossa ordem e tranquilidade.
Assim foi como aconteceu com Gil Rugai. Em um belo dia, eu acordo e descubro que na Rua Atibaia, aquela em que falávamos na escola: "Te pega na Rua Atibaia, na saída", depois de algum desentendimento durante o recreio. Quantas brigas já não foram marcadas na Rua Atibaia! E foi justamente lá, que o filho matou o pai e a madrasta, em plena madrugada. Nessa época, eu já tinha saído da escola, mas fiquei imaginando o tempo todo como teria sido interessante se eu ainda fosse aluna de lá. Estaríamos todos grudados na grade, com os pés na terra, olhando para os carros da TV e os repórteres em frenesi na frente da casa branca.
Hoje, ainda havia cones no tal cruzamento da Avenida Tiradentes. Hoje, haverá sei lá mais quantos mortos nas notícias do dia. Quantos deles poderão ter acontecido em lugares que frequentamos? Quantos deles poderão ter acontecido minutos depois que passarmos por lá?

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