quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Pra lá de blasé

Ufa, até que enfim a gripe me deixou. É horrível quando ficamos como ficamos com o corpo doendo e a cabeça sem poder pensar. Chegamos ao ponto de inércia e somos levados por quem nos mandar. Mas não é preciso estar gripado para as pessoas agirem dessa maneira. Hoje, mais do que nunca, posso perceber o quanto as pessoas são inertes. Elas não reagem. Podem ver algo errado acontecendo, mas ao invés de reclamar, discutir ou brigar, elas se calam. E se calam porque é mais fácil, dá menos trabalho, não toma seu tempo.


É por isso que uma empresa de telefonia celular coloca serviços a mais na sua conta, é por isso que o som do vizinho fica ligado até às duas da manhã, é por isso que aquele carro continua estacionando no seu rebaixo, é por isso que pisamos no cocô do cachorro dos outros. As pessoas não contestam.


Segundo o sociólogo alemão, Georg Simmel, os indivíduos que vivem nas metrópoles são rodeados de estímulos que exigem o máximo de seu sistema nervoso e de sua concentração. As reações são tão imediatas e intensas que uma hora elas cessam e o indivíduo se torna anestesiado. Ela já não se importa com o que acontece a sua volta, não reage e perde sua percepção de emoções e objetos. A famosa atitude blasé.


E a cada dia que passa, vemos mais isso acontecer. Não adianta deixar pra lá, não adianta relevar. Se não nos importarmos, aquilo vai continuar errado, vai continuar acontecendo e pode prejudicar mais pessoas, além de você. A indiferença é a pior atitude que podemos encontrar em um ser humano. Grite, reclame, faça acontecer. Mudar o errado também depende de você.

2 comentários:

Ale disse...

Ui, mas olha que eu conheci uma certa brasileira que não ficaria calada em nenhuma dessas circunstâncias! (ela só não se importa com os provadores colectivos);p

Thales disse...

Você tá reclamando porque as pessoas deveriam reclamar mais? Se quiser, eu posso fazer isso...
Interessante essa teoria do alemão.