sexta-feira, 31 de outubro de 2008

No videogame


Para se levar menos tempo do caminho casa-trabalho-casa, fazemos o possível e o impossível. E daí que a estação 1 é mais vazia, os bancos sempre estão vagos, as pessoas são mais educadas, mas ela demora 20 minutos a mais do que a estação 2, que é por onde eu estou indo ultimamente. (Eu e o metrô, de novo). Acredito que ela esteja no ranking das mais lotadas de São Paulo, já que o metrô transporta 3,3 milhões de pessoas por dia.


Preciso subir duas rampas para alcançar o embarque. Hoje, não foi a primeira vez de ter a sensação de participar de uma corrida de obstáculos, e eles são inúmeros e dos mais diversificados: morenos, loiras, grávidas, crianças, freaks, rastafaris, vendedoras do shopping, médicos, diaristas, recém-nascidos, negros, doentes. Todos compõem a cara da multidão.


A quantidade que sai do metrô para a rua é infinitamente maior do que a entra por ali, por isso a sensação de você ter que ultrapassar barreiras para chegar ao seu destino. Uma definição mais apropriada do que a corrida de obstáculos é videogame. Isso mesmo, parece que você está dentro de um videogame, em que você é o mocinho escolhido pelo jogador e que todos aqueles rostos são uma selva da qual você precisa escapar. Se esbarrar em alguém perde metade da vida. Imagine o malabarismo que é preciso ser feito para não encostar na multidão e chegar ileso ao final do jogo. Uma vez na plataforma e dentro do vagão já é a segunda fase, mas dessa, ninguém conseguiu passar.

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