quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Na escola

Hoje recebi um e-mail com um ótimo videozinho no Youtube. Era uma aula de História e o professor explicava o que foi a Batalha das Toninhas. Uma aula bem dinâmica e meio teatral, em meio a onomatopéias e barulhos representando focas e tiros, o professor consegue prender a atenção dos alunos e ao mesmo tempo em que ensina, diverte.
Era uma típica aula de cursinho e apesar de nunca ter feito, vejo seu lado positivo e negativo. O positivo é economizar um ano de estudos, claro. O negativo é perder figuras como essa. Não pude conhecer professores extraordinários no cursinho, mas tive alguns muito bons durante o colégio. Lembro-me que na quinta séria uma professora de Geografia ensinava sobre os movimentos rebeldes da época da ditadura. Pensando bem, nem sei porque aprendi isso em Geografia, mas enfim... Durante uma das aulas, elas nos deixou de tarefa levar músicas que foram compostas na Tropicália. Todos pesquisaram e na próxima semana tivemos uma aula musical, junto com as músicas, interpretamos a letra e pudemos entender um pouco mais sobre o que se passava com a censura, os exilados e comunistas. Depois, pintamos um painel representando algo do período.
Na época, a gente nem gostava muito disso. Dava trabalho, requeria tempo. Certa vez, tivemos que interpretar um poema da Literatura Brasileira. Tínhamos que inventar um teatrinho pra ele, foi uma catástrofe, mas bem engraçado. Muitas vezes acabava para as mães dos alunos do grupo fazerem. Eu até gostava. Sempre fui muito ligada em artes, adorava pintar, fazer maquetes, desenhos. Tá bom, vai, era meio CDF, mas não do estilo nerd, porque conversava durante a aula toda. Certa vez, uma professora me suplicou para parar de conversar porque eu ia bem e atrapalhava quem não ia. Uma vez, até fui colocada com a carteira isolada na porta da sala pra não ter com quem conversar. Da outra, fui expulsa junto com um amigo da sala por ficarmos riscando um ao outro.
Já no colegial, o professor não resistiu e me mandou para a diretoria quando me pegou lendo a Boa Forma no meio da apostila. Mas todos superavam a ida à diretoria, era só perguntar para a diretora como estava o netinho recém-nascido dela. Ela se derretia e até esquecia sua bronca. Passar cola era uma coisa bem comum também. Eu adorava. Tínhamos sinais, truques, respostas dos testes embaixo do terceiro banheiro feminino e minúsculos papéis deixados cair no chão acidentalmente. Depois veio a faculdade, não tinha mais sinal, nem recreio, a cola era permitida e você não era mandado pra diretoria mais. Depois veio o primeiro emprego, o salário e um bando de responsabilidades sobre suas costas. Hoje, dá pra entender melhor quando os adultos nos diziam que a escola era a melhor fase de nossa vida naqueles dias em que respondíamos que não gostávamos de estudar. Hoje, as saudades que ficam nos trazem a certeza de que gostávamos e muito.
Para ver o professor Carlos, clique: http://br.youtube.com/watch?v=YypLUBYsLxs

Um comentário:

Thales disse...

Hahaha... Não sabia dessas suas histórias! Hilárias!
É... nunca damos a atenção merecida aos mais velhos.
Acho que aproveitei minhas outras fases, porém penso que poderia ter aproveitado muuuito mais.
Beijos