sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Crianças


As crianças são seres muito engraçados. Como elas podem ser tão espontâneas e verdadeiras? Deve ser a malícia que ainda não as contaminou. Ontem, eu estava no metrô (de novo! Por que tudo tem que acontecer no metrô?), o vagão cheio e fiquei de pé. Parei em frente a duas mães com duas crianças no colo. Uma, mas novinha de chupeta na boca, quase dormia, a outra, de vestido rosa e duas maria-chiquinhas, tinha uma cara de sapeca. No banco do outro lado, tinha uma avó (acredito eu) com uma neném no colo. Linda, gordinha, olhos azuis piscina e toda risonha.


A Maria-Chiquinhas resolveu fazer graça para ela. Deu tchauzinho, mandou beijo. No começo, a neném se deliciava: ria mostrando toda sua gengiva banguela. A Dorminhoca acordou num pulo e ficava observando a cena das duas sem parar. Uma estação depois, a neném cansou de rir das graças bobas da outra e se distraiu com outra coisa. A Maria-Chiquinhas para não perder a atenção começou a fazer caretas, apertar as bochechas, falar imitando mais criança do que ela já era. Não se contentando em simplesmente parar e ficar quietinha no colo da mãe, ela começou a bater com a mão na testa, meio que se socando mesmo. A mãe falou pediu a ela para parar, no que a Maria-Chiquinhas responde: "A neném gosta".


A neném nem estava rindo mais, ela devia estar pensando "O que essa trouxa está fazendo?", assim como somos nós que quase damos cambalhota para um bebê sorrir. Estação Liberdade, entrou um homem engravatado e se colocou na frente da neném. A outra ainda permanecia fazendo suas estripulias e pareceu extremamente irritada quando se deparou com uma barreira. Não acreditei no olhar de ódio que ela lançou ao pobre moço, parecia ter saído daqueles filmes de exorcistas.


Estação Sé, o mundo desce lá. Elas desceram, todas. Enquanto saíam do vagão, a Maria-Chiquinhas parou, olhou para a menininha dorminhoca e estendeu a mão. As duas deram as mãozinhas e sumiram entre o mar de cabeças da plataforma. O que seria de nós se ainda conservássemos a espontaneidade e ingenuidade de uma criança? Com certeza, seríamos mais felizes.

Um comentário:

Thales disse...

Ei li, tá? Só não tenho o que comentar a respeito.
Cuidado: irão pedir direito de imagem da foto utilizada neste post.
Beijos