sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Bom Retiro dos coreanos


São Paulo está cheio de imigrantes. E não estou me referindo aos nortistas e nordestinos que chegam aos montes na cidade. Falo a respeito dos que deixam seu país de origem para ganhar a vida no Brasil, um país ainda em desenvolvimento. Eles ocupam bairros inteiros, criam sociedades e se fecham em círculos tão restritos como se nós fôssemos os invasores.

Há pouco mais de um mês, estou trabalhando em um desses bairros, o Bom Retiro. Diariamente, infinitos olhos puxados cruzam a minha frente falando línguas inteligíveis para nós. Há muitos anos, quando o bairro foi fundado, judeus e sírio-libaneses dominavam suas ruas, hoje, deixam seus lugares para os coreanos e suas confecções de terceira linha. Ao andar pelas ruas ainda podemos ver os resquícios dos pioneiros: restaurantes, casas de chocolate e cafés mesclados a mercadinhos vendendo chá verde e suco de lichia, restaurantes escuros com cheiro de peixe na porta e cantinhos com tempurás e espetos de camarão na vitrine.

Tentando fazer da cidade a sua casa, eles reproduziram sua escrita por todos os estabelecimentos comerciais do bairro. Como eu adoro experimentar coisas novas, resolvi explorar os redutos coreanos. Entrei em mercadinhos, comprei sucos, chás, bolachas e tomei sorvetes. De poucos, eu arranquei um sorriso, poucos me deram boa tarde, poucos me disseram o preço do produto sem errar. Eles saem de sua terra natal e não são capazes de serem educados com o povo que os acolheu? Por que eles me olham estranho cada vez que eu estou comprando deles? Por que eles “roubam” os recursos do meu país e a mão-de-obra se nem sequer conseguem oferecer produtos e serviços com qualidade?

Como sou insistente, fui novamente invadir a comunidade coreana. Desta vez, a tarefa era fácil, fazer a unha. Fácil? Pra quem? No primeiro em que toquei campainha não conseguiram me entender, nem com gestos (Sim, campainha. Os estabelecimentos coreanos não ficam abertos aos pedestres, você precisa tocar ou bater na porta para eles te atenderem). No segundo, eu que não entendi o preço que um coreano com cabelo engraçado me dizia. Enfim, no terceiro cabeleireiro me entenderam, mas não sem a ajuda da manicure brasileira. Foram os R$ 4,50 mais mal gastos da minha vida.

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