terça-feira, 9 de setembro de 2008

Admirável Mundo Velho

Eu sempre acho que usar o metrô é uma boa opção. Você chega rápido e não pega trânsito. Só por esses dois motivos, o metrô deveria ser condecorado como a "Maravilha de São Paulo". Eu uso o metrô todo dia, na maioria dos meus empregos ele foi meu meio de transporte, mas, felizmente, só pegava a Linha Verde. Até agora. Há um mês, venho andando pela Vermelha e pela Azul e percebi o quão mal educado pode ser o homem.
As frases transmitidas pelo alto-falante pedem, imploram, gritam educação para os milhares, mas se perdem na multidão a cada passagem do trem. As regras são óbvias, nem deveriam ser ditas, na verdade, não precisaria se todos tivessem uma básica noção do que é conviver em sociedade. Concordo que o transporte público brasileiro está longe de bom, inclusive, o nosso metrô foi apontado como o mais lotado do mundo, mas não é por isso que as pessoas devem torná-lo pior do que é.

Em um dos meus testemunhos a favor da má educação, me lembrei de um livro que li na faculdade, chama-se "Admirável Mundo Novo". Ele retrata uma sociedade totalmente esquematizada e controlada por regras. Os sentimentos são banidos e não há ética e nem valores morais, mas o mais interesse do livro é a maneira como os bebês são condicionados desde a sua geração, que se dá em laboratórios. Nos primeiros meses de vida, eles escutam frases de como devem se comportam perante à sociedade que nasceram para enfrentar. Quais são as regras, o que se deve ou não fazer, quem é quem, quais são as classes sociais e até informações sobre sexo.

No livro, dá certo. Os cidadãos seguem as regras e não há conflito. Por que é tão difícil seguir uma regra que está sendo dita em alto e bom som? Não é óbvio ter que levantar para um senhor sentar-se? Não é lógico entrar dentro do vagão e se dirigir aos corredores para mais pessoas conseguirem entrar? Não está claro que quando toca o alarme a porta fechará e não está certo segurá-la? A própria voz te dá a estatística: 70% dos atrasos do metrô ocorrem porque pessoas seguram as portas. Poderia dar certo se as crianças fossem condicionadas desde o nascimento, mas quem seria responsável por isso já que os pais continuam surdos para as vozes que ditam as regras continuamente dia após dia?

Um comentário:

Thales disse...

Caralho... Outro excelente post!

Eu, apesar de otimista, não vejo solução para esse problema de educação do povo brasileiro. É um cancer!
Se algum dia existir alguem preocupado com o problema da educação no Brasil, e esse alguém tiver o poder e o apoio de quem for preciso para começar a arrumar as coisas, talvez tenhamos chegado à metástase.
Beijos